sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

[Review] Y - O Último Homem: Não Há Causa Sem Porquê

A publicação do último encadernado de Y - O Último Homem no Brasil é um marco. Desde 2006 (se considerarmos a primeira publicação da Opera Graphica), o leitor brasileiro vem acompanhando a saga de Yorick, que carrega o fardo de ser o último homem vivo da Terra. A Panini conseguiu o que Opera e Pixel tentaram sem sucesso: publicar todas as 60 edições que compõem a série sem interrupções ou cancelamentos. Sempre lançados com periodicidade regular, preço camarada e bom acabamento, a série conquistou grande popularidade e se tornou um dos carros chefes da linha Vertigo no país.

O final da série fez jus a essa espera de seis anos. O décimo e último encadernado trouxe o arco Não Há Causa Sem Porquê, que mostra o ápice da procura de Yorick por Beth, tendo como pano de fundo Paris, a cidade luz. Parodiando a famosa frase, podemos dizer que todos os caminhos levaram à Paris, pois aqui vão se trombar quase todos aqueles que tiveram importante participação da saga de Yorick.


Depois de algumas revelações e despedidas acontecidas no volume passado, este prometia o encontro entre Yorick e Beth em Paris. Vaughan foi bastante engenhoso em direcionar todos os acontecimentos derradeiros para uma única localidade. O potencial explosivo que a história ganharia com a junção no mesmo ambiente de Yorick e companhia com o Exército israelense. Isso não poderia ser outra coisa além de prenúncio de um tragédia. Sem querer jogar um spoiler mais revelador, pode-se dizer que o arco final consistiu no ponto final de trajetórias que vinham em rota de colisão, com resultados tão graves e irreversíveis quanto o sentido que essa metáfora dá a entender.

Brian K. Vaughan não revela os motivos que causaram a morte de todos os homens da Terra. Talvez tenha sido melhor assim. Deixar tetricamente explicado os motivos da praga poderia arruinar a história, além de ser contraproducente em termos narrativos, posto que provavelmente uma explicação seria complexa demais para as intenções da série ou, caso não fosse, deveras simplista. Foi melhor, de fato, propor algumas hipóteses, todas improváveis, e deixar para o leitor a decisão de aceitá-las ou não. Algo semelhante foi feito no seriado de TV Lost (que contou com grande contribuição de Vaughan).

A leitura desse último álbum é especialmente viciante. Não há como ficar indiferente a cada epílogo das edições finais. O ritmo aqui é acelerado e página por página acontecimentos pelos quais ansiamos durante toda a série acontecem. E ao longo dessa jornada percebe-se que há mais momentos tristes do que felizes. O tom ao longo do último arco é que realmente as coisas nunca acontecem da maneira com elas são esperadas.










































Pode parecer manjado, mas aqui não escapamos da pergunta clássica no final das histórias: "com quem o mocinho vai ficar?". E a resposta não é tão clara quanto pode parecer. Ainda que Yorick tenha atravessado o mundo em busca de Beth, no momento do reencontro ambos são pessoas muito diferentes do que eram antes da praga. É evidente o desenvolvimento de Yorick ao longo dessas 60 edições que compõem a série. Não somente ele, mas também a Agente 355, a Dra. Mann, Hero e até Ampersand, que parou de tentar fugir a todo instante.

Depois de concluir o arco final que dá nome ao volume, Vaughan reservou a última edição para trazer aquilo que qualquer leitor já se pegou refletindo: qual o futuro para esse mundo pós-apocalíptico. Pois bem, Ai de ti... revela como ficou o mundo 60 anos depois dos eventos mostrados anteriormente.  Mais longa que o usual (com 46 páginas) a história merece considerações apartadas do restante da obra, pois trata-se de uma das melhores histórias dos quadrinhos e, sem dúvida, uma dos melhores finais já executados.

O mundo aos poucos vai se recuperando e os primeiros homens voltam a povoar o planeta novamente, graças aos experimentos de clonagem conduzidos pela Dra. Mann. Yorick está com 85 anos e encontra pela primeira vez com um de seus clones. Os diálogos dessa passagem, bem como os flashbacks que se intercalam a eles, foram muito bem conduzidos e trouxeram, em definitivo, os epílogos dos principais personagens. Feita para se emocionar e refletir. Difícil imaginar final melhor para a série.

É dessa maneira que se encerra Y, coroando o trabalho de vários anos de seus criadores, Vaughan e Pia Guerra (cuja arte foi essencial para o resultado final). Não se pode, por fim, esquecer de dar méritos à Massimo Carnevale pelas capas incríveis que fez para a série. Arte de primeira linha. Quadrinhos de primeira linha.


Y - O Último Homem: Não Há Causa Sem Porquê
Y - The Last Man #55-60
***** (10)
Vertigo | maio de 2007 a março de 2008
Panini | novembro de 2012
Roteiro: Brian K. Vaughan
Arte: Pia Guerra
Arte-Final: José Marzan Jr.


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